Alienação fiduciária de imóvel da empresa: o que acontece em caso de atraso

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Alienação fiduciária de imóvel da empresa
Primo & Viveiros Advogados
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Direito Bancário Empresarial

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A alienação fiduciária de imóvel é a garantia mais forte que um banco pode obter. Diferente da hipoteca, ela transfere ao credor a propriedade do bem enquanto a dívida não é paga, e permite a retomada por procedimento extrajudicial, rápido e com pouca margem de discussão. Empresas que oferecem a sede, o galpão ou um imóvel dos sócios nessa modalidade precisam entender exatamente o que acontece em caso de atraso.

Como funciona a alienação fiduciária de imóvel

Regulada pela Lei 9.514/1997, a alienação fiduciária de imóvel transfere ao credor a propriedade resolúvel do bem. O devedor continua na posse e no uso, e recupera a propriedade plena ao quitar a dívida. Se deixar de pagar, o credor pode consolidar a propriedade em seu nome e levar o imóvel a leilão, sem ação judicial.

O procedimento em caso de atraso

  1. Intimação para purgar a mora. Após o atraso, o credor requer ao cartório de registro de imóveis a intimação do devedor, que tem 15 dias para pagar as parcelas vencidas, com encargos. É a última oportunidade de manter o imóvel pagando apenas o que está em atraso.
  2. Consolidação da propriedade. Não havendo pagamento, o cartório registra a consolidação da propriedade em nome do credor.
  3. Leilões. O credor deve promover leilão público em até 30 dias. No primeiro, o lance mínimo é o valor do imóvel fixado no contrato. No segundo, o valor da dívida acrescido de despesas.
  4. Quitação e eventual saldo. Se o imóvel for arrematado por valor superior à dívida, a diferença deve ser devolvida ao devedor. Se for inferior, a dívida é considerada extinta, salvo disposição diversa nas hipóteses admitidas pela lei.

A Lei 14.711/2023 alterou pontos desse procedimento, incluindo a possibilidade de o devedor pagar a dívida integral até a data do segundo leilão, e regras sobre intimação. Os detalhes do caso concreto definem qual regime se aplica.

Onde a defesa é possível

O procedimento é extrajudicial, mas não está imune a controle judicial. Os principais pontos de discussão são:

  • Intimação irregular. A intimação pessoal do devedor é requisito essencial. Intimação em endereço errado ou por edital sem esgotar as tentativas pode anular a consolidação.
  • Valor da purga da mora. A cobrança de valores além das parcelas vencidas e encargos legais para purgar a mora pode ser questionada.
  • Encargos abusivos no contrato. Juros muito acima da média e capitalização indevida podem ser discutidos em ação própria, com pedido de tutela para suspender a consolidação, mediante depósito dos valores incontroversos.
  • Irregularidades no leilão. Ausência de publicação, valor mínimo em desacordo com o contrato ou prazos descumpridos.

O que fazer ao primeiro sinal de atraso

O tempo é decisivo. Entre o primeiro atraso e a consolidação podem passar poucos meses. Ao perceber que não conseguirá manter as parcelas, a empresa deve:

  • Verificar as condições contratuais de purga da mora e de vencimento antecipado.
  • Avaliar a possibilidade de renegociação antes da intimação, quando a posição negocial ainda é melhor.
  • Analisar se há encargos questionáveis que justifiquem discussão judicial preventiva.
  • Se a intimação já foi recebida, calcular exatamente o valor da purga e avaliar a viabilidade de pagamento no prazo de 15 dias.

Alienação fiduciária e recuperação judicial

Um ponto relevante para empresas em crise: o crédito garantido por alienação fiduciária não se submete à recuperação judicial, conforme o artigo 49, parágrafo 3º, da Lei 11.101/2005. Isso significa que a recuperação, por si só, não impede a retomada do imóvel, embora exista proteção temporária para bens essenciais à atividade durante o período de suspensão.

Oferecer imóvel em alienação fiduciária costuma garantir juros menores. O custo dessa vantagem é a velocidade com que o bem pode ser perdido. Quem tem esse tipo de contrato precisa agir cedo, e não depois da consolidação.

Em resumo: a alienação fiduciária de imóvel permite a retomada do bem em poucos meses, por via extrajudicial. Quem tem alienação fiduciária de imóvel no contrato precisa agir ao primeiro sinal de atraso, e toda alienação fiduciária de imóvel merece revisão dos encargos.

Este conteúdo tem caráter informativo e não substitui a análise individual do caso.

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